domingo, 27 de novembro de 2011

Jogo dos 7 problemas

Desta vez serei breve. Em um trecho do livro de Michel Pacione - Dimentions of the urban transport problem - o autor destaca sete problemas comuns a cidades que não colocaram a mobilidade urbana como prioridade. A brincadeira é a seguinte: aponte quais destes problemas Salvador sofre atualmente. Duvido que alguém consiga superar este desafio. Boa sorte!!!
  1. Congestionamentos: A função primária do transporte urbano é promover mobilidade das pessoas e dos bens, mas a eficiência desta função é comprometida pelo congestionamento. A principal causa do congestionamento é o crescente número de veículos nas ruas.
  2. Transporte público lotado: Na maioria das grandes metrópoles o uso do transporte público está concentrado nos períodos da manhã e fim da tarde (horários de pico). Em algumas cidades é comum ver pessoas penduradas nas portas dos coletivos.
  3. Deficiência do transporte público: Falta planejamento para manter uma eficiência ao transporte público. Atrasos são frequentes, falta informação aos usuários, segurança, enfim, existem cidades onde utilizar o transporte público é uma verdadeira maratona.
  4. Dificuldades para pedestres: Embora boa parte dos deslocamentos em uma grande cidade seja feito a pé, os pedestres muitas vezes não estão presentes nos estudos e projetos sobre transporte urbano. Os acessos normalmente são feitos para facilitar a vida dos motoristas, e não dos pedestres. Calçadas quando existem são ruins, sem manutenção, faixas de pedestres ou não existem ou estão apagadas, passarelas são inseguras, além da poluição sonora e atmosférica, que afetam os pedestres mais diretamente.
  5. Impactos ambientais: O transporte é a maior causa de poluição atmosférica nas cidades. Outros impactos incluem a poluição visual e sonora, destruição de reservas, selagem dos rios, impermeabilidade do solo (favorecendo alagamentos), dentre outras.
  6. Acidentes: Acidentes de trânsito constituem um grave problema social e a grande maioria ocorre em áreas urbanas. A maior parte das vítimas são pedestres, ciclistas e motociclistas.
  7. Dificuldades para estacionar: Em grandes metrópoles, achar um lugar para estacionar é uma tarefa nada fácil, principalmente nos centros. É fisicamente impossível uma cidade promover estacionamento para todos que desejam. Esta dificuldade pode culminar em estacionamentos ilegais, além de mais congestionamentos.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Vagas para Deficientes

Olha lá, pessoal da Transalvador estacionando na vaga para deficientes. Resta lembrá-los que esta vaga é destinada a deficientes físicos, e não deficientes mentais!

Agente deficiente mental da Transalvador em vaga no Aeroporto 2 de Julho.

sábado, 3 de setembro de 2011

Respeite a fila!

Depois de quase três meses distante deste espaço, e sem qualquer desculpa esfarrapada, estou de volta. Fiquem tranquilos que aqueles textos acadêmicos pouco aparecerão por aqui, até porque demandam algum tempo para criá-los, e tempo é algo escasso neste momento de acumulação da minha vida. Há momentos em nossa vida que o nosso tempo fica mais caro ou mais barato, o que nos faz inconscientemente calcular os custos de oportunidade de cada escolha. - Ah maluco, é vem você de novo com essas maluquices... Tudo bem 'maluco', não vou me aprofundar nisso não, relaxe.

Apesar da promessa de não me aprofundar no assunto, vou continuar falando do custo do tempo. Se o tempo tem valor para todos, no trânsito o tempo de todo mundo vale uma mega-sena acumulada. Todo mundo na voracidade, querendo chegar logo ao seu destino, nem que para isso tenham que acelerar até onde seus 1.0 aguentarem (uns 120km/h) e os buracos da cidade permitirem. Parafraseando um jovem que deu entrevista sobre o Stock Car no Globo Esporte Bahia, ultrapassar é uma sensação "adrenalizante" (esse usa bem as palavras).

O ser humano é muito ligado às perdas. A dor da perda é muito maior do que a alegria da vitória. A vitória é breve, a derrota deixa um gosto de sangue na boca por muito tempo. - Quem bate esquece, né vei? Quem apanha não esquece... Já dizia o velho Murphy (nem sei se esse cara existiu), a fila do lado sempre anda mais rápido. Quando você está em uma fila e ela avança rapidamente, esta 'vitória' não é processada pelo seu cérebro, mas basta a fila do lado começar a andar mais rápido, que o seu cérebro te manda uma mensagem: - Vai deixar é? Olha lá, o cara que chegou agora na fila já tá na sua frente, vai ficar aí dando mole é?... É nessa hora que o instinto de selvageria aflora e ficamos putos, prontos a mudar de fila. Como o ser humano quando está em grupo torna-se previsível, não é difícil imaginar o que acontece. Muitos mudam de fila, e a fila do lado passa então a andar mais rápido. Este ciclo só termina quando o indivíduo percebe que é um imbecil se continuar ouvindo os seus instintos, aceita que fez merda e para de mudar de fila. Resultado final, era melhor ter ficado quieto, bancar de esperto não lhe proporcionou nenhum ganho de tempo.

Achei este vídeo no Youtube, que mostra bem isso aí que falei acima. Não falei muito do trânsito, mas quem precisar de um resultado empírico destas minhas pobres palavras, preste atenção quando estiver na Paralela, ACM, Paulo VI, Manoel Dias, Magalhães Neto, Silveira Martins, D. João VI ou qualquer outra avenida frequentemente engarrafada da cidade. Verá na prática o que o sentimento de perda não é capaz.



domingo, 22 de maio de 2011

O mundo não acabou, mas Salvador já acabou faz tempo...

Fim do mundo mesmo é pagar R$2,50 por essa maravilha de transporte público que temos. Salvador vive o fim dos tempos, e não se assuste, pois tem tudo pra piorar. Não bastassem todos aqueles problemas que discutimos diariamente, um outro problema vem assustando os motoristas e usuários do transporte público em Salvador: as "crateras asfálticas", um fenômeno não muito raro nestes novos tempos. O fenômeno consiste no surgimento de imensas crateras DO NADA. Não sei se é um fenômeno físico, quântico, sobrenatural, social, mas sei que ele vem assombrando os bolsos dos soteropolitanos. Suspeito que seja um fenômeno químico: estão misturando bicarbonato de sódio com algum ácido em pó (talvez o ácido cítrico) no nosso asfalto. Pra quem não sabe do que estou falando, NaHCO3 e C6H8O7 são aquelas substâncias presentes nos efervescentes como o 'Sonrisal'. Misturados com água há a liberação do gás carbonico. Ou seja, aquele barulhinho do Sonrisal, o 'tssssssssssss', é a liberação das moléculas de CO2 presentes na mistura. Depois desta aula fajuta de química, acho que o nosso asfalto é feito dessa parada aí. Basta cuspir no chão que abre uma cratera, imagine o que as fortes chuvas que vem caindo não tem feito. O motorista desvia de um buraco e cai em mais três que surgem na frente.

Tsssssssssssssss...

Engraçado que até quem ganha com isso - o borracheiro - anda preocupado. Essa semana, vi o borracheiro que fica ali no topo da Ladeira do Cabula colocando uns cones para os motoristas pararem de cair na cratera que se formou na frente do seu estabelecimento. O que seria a solução dos seus problemas, virou o próprio problema. A borracharia não tem estrutura operacional para tantos clientes. O borracheiro, esperto que é, decidiu então sinalizar a presença do buraco/cratera para reduzir a demanda pelos seus serviços. A Rótula do Abacaxi, com apenas seis meses, está parecendo a Lua. Todo dia enormes buracos são descobertos naquela região.

É comum também a formação de buracos e 'lombadas' nas pistas que trafegam uma grande quantidade de ônibus. Eu não sei a razão disso, mas já que dei pitacos científicos acima, acredito que o óleo que cai dos ônibus junto com o calor desta cidade deixa o asfalto mais mole, facilitando a formação, ou melhor, a deformação do pavimento asfáltico.

Segundo a pesquisadora e professora Liedi Bernucci, da USP, a principal causa para este fenômeno que se espalha, é a falta de manutenção preventiva nos asfaltos. “Quando começam a aparecer trincas no asfalto, ele precisa de um revestimento delgado para impermeabilizá-las”, afirma. Outro entendido no assunto, o engenheiro Janos Bodi, da Prefeitura de São Paulo, diz que tapar buracos não resolve. “O ideal é recapear as vias, mas poucos municípios têm dinheiro para sair da manutenção provisória”, diz.

Cratera na Ladeira do Cabula

Os efeitos destes buracos nos bolsos dos motoristas são graves. Os automóveis necessitam constantemente de manutenção preventiva e corretiva em pneus, suspensão e amortecedores. Os custos para o motorista já são altos, some agora estes novos custos. Fora que estes buracos são também responsáveis por muitos acidentes. E quem mais sofre é quem? O peão que tá dentro do busú, que além de pagar caro pra entrar naquela lata de sardinha velha, ainda tem que praticar malabarismo no seu caminho pra casa...

Fale comigo no Msn