Bom, todos nós estamos cansados de ver e participar dos congestionamentos na nossa capital soteropolesca, porém um outro tipo inusitado de engarrafamento tem chamado a atenção nas mediações da Bacia do Camurugipe. Vejam vocês mesmos no vídeo abaixo. Quem olha esse vídeo assim, pensa que foi filmado na China. Não. Isto mostra mais uma vez que estamos à beira de um colapso na mobilidade urbana. Os pedestres são esquecidos, praticamente não existem para os gestores públicos e não estão presentes nas políticas de mobilidade urbana. São obrigados a andar sob calçadas esburacadas, desniveladas, sujas e sem acessibilidade, quando sequer existem. Eu vejo hoje a Rótula do Abacaxi, 1 ano depois de inaugurada e até hoje NÃO HÁ FAIXAS DE PEDESTRES! Nem nas sinaleiras existe a faixa. Enquanto isso não muda, divirtam-se com o vídeo. Namoral, aquela tia do milho é queixona!
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
domingo, 4 de dezembro de 2011
Negócio da China
Em Salvador, cerca de 25% dos habitantes possuem carro. Temos hoje circulando nas ruas da cidade algo em torno de 700 mil veículos. A frota de veículos em Salvador cresce a taxas impressionantes e alarmantes, em média 6% ao ano de acordo com dados do Detran. Hoje o número de carros na cidade é o DOBRO de 10 anos atrás. O resultado disso não poderia ser o que vemos diariamente: congestionamentos surreais, motoristas despreparados, desrespeito às leis, pessoas estressadas, acidentes, brigas de trânsito, não necessariamente nesta ordem.
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| Avenida Antonio Carlos Magalhães em uma tarde qualquer |
Alguns estudiosos da Economia Urbana costumam dizer que o trânsito de uma metrópole reflete o próprio aquecimento da economia local, funcionando como uma espécie de termômetro. Um trânsito caótico, para estes autores, é sinonimo de prosperidade econômica, um sinal do aumento da renda desta região. Bom, não vou discutir isso, mas to pouco me fud fedendo pra aquecimento da economia quando pego um congestionamento bizarro às 15hs em plena quarta-feira. Pra mim prosperidade econômica não é congestionamento em pleno horário comercial, desenvolvimento pra mim é um trânsito gentil, motoristas educados, que respeitam as leis, que dirigem para si e para os outros, pedestres conscientes, motociclistas responsáveis e um transporte público de qualidade. Na minha concepção de metrópole desenvolvida, estes são os pré-requisitos, e Salvador, assim como 97,34% das cidades brasileiras, estão longe do meu utópico desejo.
- O que fazer então, Sir Lucas Morais Santos? Proibir os seres humanos que trabalham o ano inteiro de realizarem seus sonhos? Não, não é isso. Mas cada sacana desse que compra um carro e decide sair com ele, impõe um custo à todos. Nada mais justo que paguem este custo, e não apenas arquem sua manutenção e sua gasosa. Cada minuto perdido no congestionamento é custo, provocado por todos que estão naquele inferno, inclusive por mim. Ou incentiva o transporte público, dando alguma qualidade e aumentando sua oferta, ou desincentiva o transporte individual, aumentando o seu custo, diminuindo a sua demanda. O certo mesmo é fazer os dois. Tudo bem, isso não é simples.
Uma alternativa de controle da demanda está sendo utilizada na China. Os governos de algumas cidades estão limitando o número de licenças para emplacamento de veículos, afim de reduzir pelo menos o crescimento da frota. Assim, o leilão de licenças é a saída pra quem quer emplacar o carro. Quem paga mais, leva. O lance mínimo, no mês de maio, foi 12 mil reais. Isto mesmo mané, 12 mil reais. O lance vencedor é, em média, 40% acima deste preço. Isso significa que emplacar seu carro na China irá lhe custar aproximadamente 17 mil reais. Em reais, é quase o preço de um bom carro ZERO lá.
Desincentivando o deslocamento individual, o governo chinês tem trabalhado para melhorar a oferta de transporte público, ampliando linhas de metrô, reduzindo tarifas de taxi, investindo em inteligência de tráfego, ampliando ciclovias. Aumentando a oferta de um lado, e reduzindo a demanda do outro. Isso sim é política coordenada.
Quando se fala em políticas de mobilidade aqui, é só BRT x VLT., como se só isso fosse resolver o problema de deslocamento em Salvador. Enquanto a discussão continua sem solução, a situação já caótica do nosso trânsito só piora. Comprar carro aqui não é barato não, mantê-lo é mais caro ainda. Porém, o crédito para comprar carro em 60x sem entrada está aí na praça; licenciar e emplacar deve lhe custar em média mil reais. Pegar um taxi vai lhe custar o rim esquerdo, moto-taxistas são na maioria despreparados, ciclovias não existem, não há investimentos. Resta ao soteropolitano comprar um carro e piorar ainda mais o impiorável (afemaria), ou ficar horas em um ponto de ônibus geralmente inseguro e pegar um buzão lotado, desconfortável e também inseguro.
domingo, 27 de novembro de 2011
Jogo dos 7 problemas
Desta vez serei breve. Em um trecho do livro de Michel Pacione - Dimentions of the urban transport problem - o autor destaca sete problemas comuns a cidades que não colocaram a mobilidade urbana como prioridade. A brincadeira é a seguinte: aponte quais destes problemas Salvador sofre atualmente. Duvido que alguém consiga superar este desafio. Boa sorte!!!
- Congestionamentos: A função primária do transporte urbano é promover mobilidade das pessoas e dos bens, mas a eficiência desta função é comprometida pelo congestionamento. A principal causa do congestionamento é o crescente número de veículos nas ruas.
- Transporte público lotado: Na maioria das grandes metrópoles o uso do transporte público está concentrado nos períodos da manhã e fim da tarde (horários de pico). Em algumas cidades é comum ver pessoas penduradas nas portas dos coletivos.
- Deficiência do transporte público: Falta planejamento para manter uma eficiência ao transporte público. Atrasos são frequentes, falta informação aos usuários, segurança, enfim, existem cidades onde utilizar o transporte público é uma verdadeira maratona.
- Dificuldades para pedestres: Embora boa parte dos deslocamentos em uma grande cidade seja feito a pé, os pedestres muitas vezes não estão presentes nos estudos e projetos sobre transporte urbano. Os acessos normalmente são feitos para facilitar a vida dos motoristas, e não dos pedestres. Calçadas quando existem são ruins, sem manutenção, faixas de pedestres ou não existem ou estão apagadas, passarelas são inseguras, além da poluição sonora e atmosférica, que afetam os pedestres mais diretamente.
- Impactos ambientais: O transporte é a maior causa de poluição atmosférica nas cidades. Outros impactos incluem a poluição visual e sonora, destruição de reservas, selagem dos rios, impermeabilidade do solo (favorecendo alagamentos), dentre outras.
- Acidentes: Acidentes de trânsito constituem um grave problema social e a grande maioria ocorre em áreas urbanas. A maior parte das vítimas são pedestres, ciclistas e motociclistas.
- Dificuldades para estacionar: Em grandes metrópoles, achar um lugar para estacionar é uma tarefa nada fácil, principalmente nos centros. É fisicamente impossível uma cidade promover estacionamento para todos que desejam. Esta dificuldade pode culminar em estacionamentos ilegais, além de mais congestionamentos.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Vagas para Deficientes
Olha lá, pessoal da Transalvador estacionando na vaga para deficientes. Resta lembrá-los que esta vaga é destinada a deficientes físicos, e não deficientes mentais!
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| Agente deficiente mental da Transalvador em vaga no Aeroporto 2 de Julho. |
sábado, 3 de setembro de 2011
Respeite a fila!
Depois de quase três meses distante deste espaço, e sem qualquer desculpa esfarrapada, estou de volta. Fiquem tranquilos que aqueles textos acadêmicos pouco aparecerão por aqui, até porque demandam algum tempo para criá-los, e tempo é algo escasso neste momento de acumulação da minha vida. Há momentos em nossa vida que o nosso tempo fica mais caro ou mais barato, o que nos faz inconscientemente calcular os custos de oportunidade de cada escolha. - Ah maluco, é vem você de novo com essas maluquices... Tudo bem 'maluco', não vou me aprofundar nisso não, relaxe.
Apesar da promessa de não me aprofundar no assunto, vou continuar falando do custo do tempo. Se o tempo tem valor para todos, no trânsito o tempo de todo mundo vale uma mega-sena acumulada. Todo mundo na voracidade, querendo chegar logo ao seu destino, nem que para isso tenham que acelerar até onde seus 1.0 aguentarem (uns 120km/h) e os buracos da cidade permitirem. Parafraseando um jovem que deu entrevista sobre o Stock Car no Globo Esporte Bahia, ultrapassar é uma sensação "adrenalizante" (esse usa bem as palavras).
O ser humano é muito ligado às perdas. A dor da perda é muito maior do que a alegria da vitória. A vitória é breve, a derrota deixa um gosto de sangue na boca por muito tempo. - Quem bate esquece, né vei? Quem apanha não esquece... Já dizia o velho Murphy (nem sei se esse cara existiu), a fila do lado sempre anda mais rápido. Quando você está em uma fila e ela avança rapidamente, esta 'vitória' não é processada pelo seu cérebro, mas basta a fila do lado começar a andar mais rápido, que o seu cérebro te manda uma mensagem: - Vai deixar é? Olha lá, o cara que chegou agora na fila já tá na sua frente, vai ficar aí dando mole é?... É nessa hora que o instinto de selvageria aflora e ficamos putos, prontos a mudar de fila. Como o ser humano quando está em grupo torna-se previsível, não é difícil imaginar o que acontece. Muitos mudam de fila, e a fila do lado passa então a andar mais rápido. Este ciclo só termina quando o indivíduo percebe que é um imbecil se continuar ouvindo os seus instintos, aceita que fez merda e para de mudar de fila. Resultado final, era melhor ter ficado quieto, bancar de esperto não lhe proporcionou nenhum ganho de tempo.
Achei este vídeo no Youtube, que mostra bem isso aí que falei acima. Não falei muito do trânsito, mas quem precisar de um resultado empírico destas minhas pobres palavras, preste atenção quando estiver na Paralela, ACM, Paulo VI, Manoel Dias, Magalhães Neto, Silveira Martins, D. João VI ou qualquer outra avenida frequentemente engarrafada da cidade. Verá na prática o que o sentimento de perda não é capaz.
Apesar da promessa de não me aprofundar no assunto, vou continuar falando do custo do tempo. Se o tempo tem valor para todos, no trânsito o tempo de todo mundo vale uma mega-sena acumulada. Todo mundo na voracidade, querendo chegar logo ao seu destino, nem que para isso tenham que acelerar até onde seus 1.0 aguentarem (uns 120km/h) e os buracos da cidade permitirem. Parafraseando um jovem que deu entrevista sobre o Stock Car no Globo Esporte Bahia, ultrapassar é uma sensação "adrenalizante" (esse usa bem as palavras).
O ser humano é muito ligado às perdas. A dor da perda é muito maior do que a alegria da vitória. A vitória é breve, a derrota deixa um gosto de sangue na boca por muito tempo. - Quem bate esquece, né vei? Quem apanha não esquece... Já dizia o velho Murphy (nem sei se esse cara existiu), a fila do lado sempre anda mais rápido. Quando você está em uma fila e ela avança rapidamente, esta 'vitória' não é processada pelo seu cérebro, mas basta a fila do lado começar a andar mais rápido, que o seu cérebro te manda uma mensagem: - Vai deixar é? Olha lá, o cara que chegou agora na fila já tá na sua frente, vai ficar aí dando mole é?... É nessa hora que o instinto de selvageria aflora e ficamos putos, prontos a mudar de fila. Como o ser humano quando está em grupo torna-se previsível, não é difícil imaginar o que acontece. Muitos mudam de fila, e a fila do lado passa então a andar mais rápido. Este ciclo só termina quando o indivíduo percebe que é um imbecil se continuar ouvindo os seus instintos, aceita que fez merda e para de mudar de fila. Resultado final, era melhor ter ficado quieto, bancar de esperto não lhe proporcionou nenhum ganho de tempo.
Achei este vídeo no Youtube, que mostra bem isso aí que falei acima. Não falei muito do trânsito, mas quem precisar de um resultado empírico destas minhas pobres palavras, preste atenção quando estiver na Paralela, ACM, Paulo VI, Manoel Dias, Magalhães Neto, Silveira Martins, D. João VI ou qualquer outra avenida frequentemente engarrafada da cidade. Verá na prática o que o sentimento de perda não é capaz.
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