terça-feira, 17 de abril de 2012

Guia para dirigir em Salvador

Rapaz, não é que devem dar este guia prático nas auto-escolas aqui em Salvador? Divirtam-se!
 
 
Por Robson Oliveira (baiano)
 
Vindo à capital da Bahia a passeio e tendo que se adaptar ao
jeitinho baiano de dirigir, não se assuste. Em Salvador você verá
atrocidades; você duvidará que o motorista que violentamente insiste
em lhe expulsar da pista goza de boa saúde mental; você não
entenderá como nós soteropolitanos, famosos no mundo por não se
estressarem, nos transformamos em seres raivosos quando estamos ao
volante. Não fazemos por maldade, guiamos preocupados apenas com o
centro do universo, nós mesmos, os baianos, os piores motoristas do
Brasil. As lições vão lhe ajudar no trânsito de Salvador.
 
Antes de começar, lembramos que o baiano gosta de imitar os
Ingleses. Assim, eles decidiram que, nas pistas de mão única, a
faixa de velocidade é a da direita. Não se assuste ao ver uma fila
de automóveis andando a menos de 10 Km/h, toda ela na faixa da
esquerda, parecendo uma Procissão. Não pense duas vezes: Dê uma
guinada à direita e pé no fundo. Pode ultrapassar. Pode até usar o
acostamento da direita que é permitido.
 
1ª Lição: Faixas Inúteis. A pintura de faixas, quando existe,
não serve para absolutamente nada. Nós não sabemos exatamente para
que a via foi dividida em faixas. Passamos de uma faixa para outra,
rodamos sobre as faixas “seguindo os pontinhos” como se não
quiséssemos nos perder... e em qualquer curva preferimos a tangente,
mesmo que a faixa ao lado esteja ocupada por algum “leso”.
Acostume-se, esqueça as faixas, sinta-se livre.
 
2ª Lição: Parar Já. Paramos onde e quando precisamos; às vezes
até ligamos o pisca alerta. Todos podem esperar um pouco. Na rua onde
mal passa um carro, que diferença podem fazer cinco ou dez minutos
parado até que “voinha” desça da casa de “mainha”? Se o
carro da frente parar, tenha paciência, espere até que ele decida
seguir ou, também é permitido, buzine alucinadamente para extravasar
sua raiva, sabendo que não vai adiantar. Desconte no próximo, pare
também onde e quando quiser, aqui pode.
 
3ª Lição: Setas Invertidas. Não temos idéia do que passava na
cabeça de quem colocou aquelas luzinhas amarelas que piscam quando
nossos filhos mexem naquela alavanca inútil que fica próxima ao
volante. Às vezes acionamos sem querer a luzinha que pisca na
esquerda ou na direita. Se desejamos ir para a esquerda, vamos, não
importa se a tal luz amarela está piscando, muito menos se pisca do
lado certo. Seta é coisa de carioca “isperto”, nós não
precisamos de seta para guiar. Nunca sinalize em Salvador, você
poderá desviar a atenção do baiano que vai ao seu lado.
 
4ª Lição: Meter o Terço. Metendo um terço do seu carro na
frente do baiano que teria a preferência você automaticamente
obriga-o a ceder em seu favor. Meta o terço em qualquer situação:
em cruzamentos perigosos, ao entrar em vias rápidas, quando quiser
passar à frente de algum otário, enfim, meter o terço lhe garante
vantagem indiscutível. É possível que às vezes ocorra uma pequena
batida, coisas da vida. Se bater saia do carro e comece a bater papo
com o outro baiano. Vocês acabarão descobrindo que são parentes ou
que têm amigos em comum:
“ Você num é irmão do Tinho? - Não, sou primo. - Rapaz, cê parece dimais
com ele, é escrito e escarrado. Como tá Inha, cunhada do Tinho? ”
 
5ª Lição: Emparelhar. Fique sempre ao lado de algum carro. Se ele
acelerar, acelere também. Se reduzir a velocidade, reduza e
permaneça “emparelhado”. Emparelhar deixa o baiano seguro. Vá
juntinho, melhor seguir acompanhado. Se atrapalhar quem vem atrás
não se avexe, quem quiser passar que passe. É isso mesmo, às vezes
a oitenta por hora, ou a vinte, os baianos adoram andar
emparelhados... e só Deus sabe o motivo.
 
6ª Lição: Dois Dedos. Dois dedos é a distância normalmente
mantida por um bom motorista baiano do carro da frente. Colado, bem
juntinho. Achamos que assim é possível aproveitar ao máximo o
espaço disponível em nossas ruas. Outra vantagem em manter dois
dedos do carro da frente é mostrar que estamos com pressa, que o
carro da frente deve se apressar. Não importa se o motorista da
frente não está atrasado como um bom baiano. O que importa é seguir
colado. Não se perca, siga sempre a dois dedos do carro da frente.
 
7ª Lição: Fila é Para Otário. Em qualquer conversão, onde
normalmente só caberia um carro, nós baianos fazemos a fila dupla,
tripla, às vezes dá até para a quarta fila. Nunca espere o leso que
está aguardando pacientemente a conversão, fila é para otário.
Passe à frente, meta o terço, tome a preferência da conversão à
força. Quem quiser que buzine.
 
8ª Lição: Buzina no Sinal Verde. Nós, baianos, há muitos anos
disputamos o campeonato de acionamento de buzina após a abertura do
sinal. Aguarde o sinal verde com as duas mãos prontas para acionar
violentamente a buzina do seu carro. O recorde é de Toinho, irmão de
Ninha, dois centésimos de segundo após a luz verde. Capriche na
buzina, rápido, mesmo que você esteja sem pressa, mesmo que buzinar
não faça nenhum sentido.
 
9ª Lição: Lixo no Carro Não. É, é isso mesmo que você
forasteiro está pensando. Nos nossos carros baianos não pode ter
lixo. Vai tudo pela janela: latinha de cerveja, fralda suja, palito de
picolé, ponta de cigarro, garrafa pet. Somos muito asseados, lixo no
carro não. Quem quiser que varra a rua. Acostume-se e, se do carro da
frente for jogado algum objeto grande, desvie sem reclamar.
 
10ª Lição: O Retorno É Aqui. Nas ruas de Salvador é possível
retornar em qualquer lugar. Gire o volante e, se couber, ótimo. Se
não “deu jogo” dê uma rezinha rapidinha e complete a manobra.
Quem quiser que espere ou se bata. Quem procura retorno é otário.
Não se assuste se depois da curva der de cara com uma D20 atravessada
na pista, manobrando para retornar a dez metros do retorno correto.
 
Boa sorte no trânsito de Salvador. Antes que eu esqueça: para
dirigir em Salvador você não precisa, necessariamente, olhar para
frente. Converse olhando sempre para o carona. Fale ao celular, leia,
procure coisas no porta-luvas, enfim, descontraia-se, crie você mesmo
suas regras de trânsito.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Os doutores do trânsito

Fim de semana passado aconteceu o que eu achava que nunca fosse acontecer com a minha pessoa: me envolvi em um acidente de trânsito!!! Calma, estou bem, não morri, mas fiquei muito puto, sim fiquei. Não fiquei puto em razão do acidente, até porque o próprio nome diz, foi acidente, mas fiquei puto por me envolver em um acidente com um TAXISTA! Ah sim, agora a porra ficou séria!!! Vou falar um pouco do que acho dos "taquisseiros".


Taxista é aquele cara que acredita ser o doutor quando se fala em trânsito. O médico é o profissional da medicina, da saúde, e os outros apenas dão palpites. O economista é o profissional das finanças, os outros dão apenas opiniões rasas. Os engenheiros civis são os especialistas em levantar obras, qualquer outro é apenas um simples mestre-de-obras. Pronto, os taxistas acreditam piamente que eles são os especialistas em trânsito, e que os outros estão ali para atrapalhar seu trabalho. Basta observar o dia-a-dia destes doutores do trânsito. Os caras não sinalizam, estão sempre apressados, buzinam pra você antes mesmo do sinal abrir, freiam bruscamente na sua frente quando avistam um potencial passageiro. Meu pai sempre me disse para andar afastado deles, pois qualquer movimento suspeito que se faça na calçada para eles é corrida. Até aqueles bonecos de vento do posto podem ser confundidos com um futuro cliente. É claro que estou generalizando, existem bons taxistas e maus taxistas, embora eu nunca pegue um taxi com os primeiros.

Pois bem, estou eu com a minha namorada no estacionamento do Shopping Iguatemi no dia 21/02 às 15:10 quando vejo um taxi parado à minha frente, no sentido da via, porém estacionado do LADO ESQUERDO da via, sem qualquer sinalização. Como um bom motorista defensivo que sou, reduzi minha velocidade para passar ao seu lado, uma vez que não havia outro caminho a seguir e não configurava ultrapassagem. Eis que quando estou passando o passageiro abre bruscamente a porta, não evitando a colisão. Na mesma hora o taxista sai - dono da verdade - dizendo que eu estava errado, que a culpa era minha. Recapitulando: carro ESTACIONADO na pista ESQUERDA, SEM SINALIZAÇÃO, DESEMBARCANDO o passageiro em local PROIBIDO e eu estou errado??? Ele ainda veio me questionar que se fosse uma criança eu a teria matado. Ele tentou tocar no emocional das testemunhas do acidente, mas ele CONTINUARIA ERRADO, pois não se desembarca passageiro em local inseguro. A regra é clara: 
Artigo 49 do Código de Trânsito Brasileiro: o condutor e os passageiros (...) não deverão abrir a porta do veículo, deixá-la aberta ou descer do veículo sem antes se certificarem de que isso não constitui perigo para eles e para os outros usuários da via. Parágrafo único. O embarque e o desembarque devem ocorrer sempre do lado da calçada, exceto para o condutor.
Com o argumento baseado em lei ele foi mudando o discurso, dizendo que a culpa era tanto dele quanto minha, blá blá blá. Enfim, terei que rever meu prejuízo na justiça, pois o "doutor em trânsito" não quis fazer um acordo na hora do acidente, e ainda alegou que eu não conhecia a lei. Pois então, "é na palma da lei que eu vou falar o que eu sei meu irmão!"

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Estação Transtorno Iguatemi

Esta semana, mais precisamente no dia 24/01, fui vítima da maior falta de respeito ao cidadão soteropolitano: utilizei a Estação Transtorno Transbordo Iguatemi. Havia algum tempo que não visitava a região, porém desta vez fui com olhar mais crítico, e me surpreendi com tamanha falta de cuidado que a nossa prefeitura tem com sua população. Não quero nem entrar no debate político, quero só escrever um pouco do que vi ali. Infelizmente não consegui tirar fotografias - a insegurança nesta estação é tanta que fiquei intimidado em sacar minha câmera fotográfica e entregá-la ao "dono".

Olha que belo lugar pra construir uma Estação!

A primeira observação é o acesso. Aquela passarela que liga o Iguatemi ao Transbordo é a bruxa. Aquele esgoto ali embaixo devem ter espécies ainda não catalogadas pela ciência. A sensação de insegurança é terrível. Não há um policial, os ambulantes praticamente te agridem para que compre um "batidão de prata", um "relógio da hora" ou um tal de "bolimbolacho", que pra mim continua sendo "bate-bate", e que continua fazendo um barulho irritante. Fora o pessoal que vende dvd pirata, que gentilmente obstrui metade da passarela com os dvd's dispostos no chão. Bom, isso aí é light comparado ao que vi na Estação do inferno Transbordo.

Cheguei na Estação pontualmente às 17:28. A primeira sensação que tive foi de alivio, pois cinco linhas que passam por ali servem pra mim, e eu logo daria o fora. Ledo engano. Começaria ali uma maratona, literalmente. O primeiro ônibus que passou me servia, mas o motorista simplesmente NÃO PAROU. O buzu estava vazio, e além de mim, tinham pelo menos mais umas 30 pessoas que correram para alcançar aquela lata de sardinha. Pior é que agora seriam agora pelo menos 60 pessoas para entrar no próximo.

Parei para observar a Estação em si. Suja, lixo por toda parte. Ambulantes por todo lado. Insegura. Os ônibus não tem local certo para parar, as pessoas ficam correndo de um lado a outro para poderem entrar nos seus coletivos. A pista dos ônibus é muito estreita, não permitindo ultrapassagem segura e é comum a formação de filas duplas. A estação não possui qualquer informação sobre linhas e trajetos.
 
Nova modalidade de surfe em Salvador

Quando a plataforma começou a encher, decidi ir para o final, pois talvez conseguisse chegar no ônibus primeiro. Eis que de longe avisto outro ônibus que me servia - olhei que não havia ônibus na plataforma, então comecei a correr pro inicio para poder talvez alcançar o buzão, pois certamente ele pararia lá. Desta vez o motorista fez pior: parou o ônibus DEPOIS da plataforma de embarque apenas para desembarcar - desceram duas pessoas e o ônibus partiu. 

Às 17:50 a plataforma já estava bastante cheia, tanto de pessoas quanto de veículos. Fui abordado por uma senhora me pedindo dinheiro pro transporte, apertando a minha mente. Chega mais um ônibus que me servia, desta vez já lotado. Alguns se arriscaram em viajar pendurados na porta, e o motorista saiu assim mesmo. Procurei algum fiscalzinho daqueles, mas no meio daquela bagunça era complicado achar qualquer coisa.

Inteligentemente fui para o meio da plataforma, pois assim reduziria a distancia percorrida qualquer fosse o local que o ônibus parasse (se parasse). Meu ônibus chegou, e dessa vez consegui embarcar com alguma dificuldade. Ônibus cheio, como era de se esperar, e eu gentilmente fui pedindo licença para chegar até a frente. Recebi um 'porra' de uma mulher que disse que eu a machuquei. Tem culpa eu? Preferi só pedir desculpas.

Cheguei relativamente rápido ao meu destino, mas com uma sensação de ter sido roubado, usurpado. Pagamos R$2,50 por um serviço medíocre, sem qualquer qualidade. Não é somente ruim, beira o absurdo. Aquela estação é uma piada de mal gosto. Realmente, o sonho de qualquer pessoa que utiliza o sistema é ter o seu veículo particular, congestionando ainda mais as nossas vias. Bom, eu prometi que não entraria no debate político, mas pode entrar prefeito e sair prefeito que a qualidade do nosso transporte "público" não vai melhorar. O prefeito não tem muito poder para mudar essa realidade. O câncer do nosso sistema é a sua gerência, um SINDICATO DE EMPRESÁRIOS, mais conhecido como SETPS.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Congestionamentos Inusitados em Salvador

Bom, todos nós estamos cansados de ver e participar dos congestionamentos na nossa capital soteropolesca, porém um outro tipo inusitado de engarrafamento tem chamado a atenção nas mediações da Bacia do Camurugipe. Vejam vocês mesmos no vídeo abaixo. Quem olha esse vídeo assim, pensa que foi filmado na China. Não. Isto mostra mais uma vez que estamos à beira de um colapso na mobilidade urbana. Os pedestres são esquecidos, praticamente não existem para os gestores públicos e não estão presentes nas políticas de mobilidade urbana. São obrigados a andar sob calçadas esburacadas, desniveladas, sujas e sem acessibilidade, quando sequer existem. Eu vejo hoje a Rótula do Abacaxi, 1 ano depois de inaugurada e até hoje NÃO HÁ FAIXAS DE PEDESTRES! Nem nas sinaleiras existe a faixa. Enquanto isso não muda, divirtam-se com o vídeo. Namoral, aquela tia do milho é queixona!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Negócio da China

Em Salvador, cerca de 25% dos habitantes possuem carro. Temos hoje circulando nas ruas da cidade algo em torno de 700 mil veículos. A frota de veículos em Salvador cresce a taxas impressionantes e alarmantes, em média 6% ao ano de acordo com dados do Detran. Hoje o número de carros na cidade é o DOBRO de 10 anos atrás. O resultado disso não poderia ser o que vemos diariamente: congestionamentos surreais, motoristas despreparados, desrespeito às leis, pessoas estressadas, acidentes, brigas de trânsito, não necessariamente nesta ordem. 

Avenida Antonio Carlos Magalhães em uma tarde qualquer
Alguns estudiosos da Economia Urbana costumam dizer que o trânsito de uma metrópole reflete o próprio aquecimento da economia local, funcionando como uma espécie de termômetro. Um trânsito caótico, para estes autores, é sinonimo de prosperidade econômica, um sinal do aumento da renda desta região. Bom, não vou discutir isso, mas to pouco me fud fedendo pra aquecimento da economia quando pego um congestionamento bizarro às 15hs em plena quarta-feira. Pra mim prosperidade econômica não é congestionamento em pleno horário comercial, desenvolvimento pra mim é um trânsito gentil, motoristas educados, que respeitam as leis, que dirigem para si e para os outros, pedestres conscientes, motociclistas responsáveis e um transporte público de qualidade. Na minha concepção de metrópole desenvolvida, estes são os pré-requisitos, e Salvador, assim como 97,34% das cidades brasileiras, estão longe do meu utópico desejo.

- O que fazer então, Sir Lucas Morais Santos? Proibir os seres humanos que trabalham o ano inteiro de realizarem seus sonhos? Não, não é isso. Mas cada sacana desse que compra um carro e decide sair com ele, impõe um custo à todos. Nada mais justo que paguem este custo, e não apenas arquem sua manutenção e sua gasosa. Cada minuto perdido no congestionamento é custo, provocado por todos que estão naquele inferno, inclusive por mim. Ou incentiva o transporte público, dando alguma qualidade e aumentando sua oferta, ou desincentiva o transporte individual, aumentando o seu custo, diminuindo a sua demanda. O certo mesmo é fazer os dois. Tudo bem, isso não é simples.

Uma alternativa de controle da demanda está sendo utilizada na China. Os governos de algumas cidades estão limitando o número de licenças para emplacamento de veículos, afim de reduzir pelo menos o crescimento da frota. Assim, o leilão de licenças é a saída pra quem quer emplacar o carro. Quem paga mais, leva. O lance mínimo, no mês de maio, foi 12 mil reais. Isto mesmo mané, 12 mil reais. O lance vencedor é, em média, 40% acima deste preço. Isso significa que emplacar seu carro na China irá lhe custar aproximadamente 17 mil reais. Em reais, é quase o preço de um bom carro ZERO lá.

Desincentivando o deslocamento individual, o governo chinês tem trabalhado para melhorar a oferta de transporte público, ampliando linhas de metrô, reduzindo tarifas de taxi, investindo em inteligência de tráfego, ampliando ciclovias. Aumentando a oferta de um lado, e reduzindo a demanda do outro. Isso sim é política coordenada.

Quando se fala em políticas de mobilidade aqui, é só BRT x VLT., como se só isso fosse resolver o problema de deslocamento em Salvador. Enquanto a discussão continua sem solução, a situação já caótica do nosso trânsito só piora. Comprar carro aqui não é barato não, mantê-lo é mais caro ainda. Porém, o crédito para comprar carro em 60x sem entrada está aí na praça; licenciar e emplacar deve lhe custar em média mil reais. Pegar um taxi vai lhe custar o rim esquerdo, moto-taxistas são na maioria despreparados, ciclovias não existem, não há investimentos. Resta ao soteropolitano comprar um carro e piorar ainda mais o impiorável (afemaria), ou ficar horas em um ponto de ônibus geralmente inseguro e pegar um buzão lotado, desconfortável e também inseguro.

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