quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Tenho automóvel logo existo

- Socorro meu deus, eu não quero morreeeer!!!
 
Será que existe alguma explicação para a quantidade de veículos que hoje circula nas grandes cidades? Como já comentei em textos anteriores, muitas vezes tenho a impressão que ninguém em Salvador trabalha, pois a cidade vive congestionada desde a hora que o sol nasce, até a hora que começa Passione. Parece que os carros se multiplicam na rua, é sinistro. Eduardo Vasconcellos, um dos mais notórios estudiosos da área, discute este tema no capítulo 5 do seu livro "Transporte urbano nos países em desenvolvimento: reflexões e propostas". Ele explica que esta hegemonia do transporte individual (leia-se automóvel) não é fruto apenas do processo de transformação social e econômica; é resultado também das decisões no âmbito do planejamento urbano e do planejamento de transportes.

É importante discutir este tema por dois motivos: 1) o mal uso do automóvel vem gerando uma série de externalidades negativas, diminuindo a qualidade de vida nos grandes centros; 2) este problema já vem sendo tratado como 'inevitável', sendo entendido como uma livre vontade do consumidor cuja opção pelo automóvel tem que ser respeitada.

O automóvel marcou a história da humanidade. A indústria automobilística possibilitou o desenvolvimento das regiões, gerou empregos, renda e melhorou as condições de vida ($) de muita gente. Remodelou a vida nas cidades, ampliou horizontes. Ao mesmo tempo que trouxe todos estes benefícios, o automóvel também impôs ônus à sociedade, não apenas aos seus donos.


Assinado: indústria automobilística.

Segundo Vasconcellos, quatro visões convencionais explicam esta surra que o automóvel está dando em todos os outros modos de deslocamento. A primeira é a que coloca o automóvel como um símbolo de poder, status de riqueza. Neste caso o automóvel é visto como um símbolo de superioridade e prestígio social. Esta visão ele dá o nome de antropológica. A segunda concepção corresponde aos símbolos de liberdade e privacidade. Liberdade no sentido de circulação livre no espaço e privacidade no sentido de poder utilizar o domínio público de forma privada, ou seja, a possibilidade estar no seu mundo íntimo mesmo em meio ao caos urbano. Esta visão Vasconcellos dá o nome de política, uma vez que mexe com questões de liberdade e propriedade privada. Uma terceira visão corresponde às idéias de juventude, confiança própria e prazer pessoal. O automóvel aparece em muitos casos como um meio para experiências emocionais relacionadas ao ato de dirigir e ao prazer estético. É aquela coisa de que quem tem carro é mais bonitão. Esta seria a visão psicológica. A quarta e última visão relaciona-se à utilidade do automóvel como uma tecnologia que permite maior mobilidade. Ao decidir adquirir um automóvel, o agente estaria atento ao custo de oportunidade, ou seja, ele faz uma comparação racional entre os custos e benefícios do automóvel em relação aos seus substitutos, e percebe que o custo de oportunidade de não adquirir o carro é alto. Esta é a visão econômica. As três primeiras concepções estão presentes no nosso dia-a-dia, enquanto que a quarta, a visão econômica, é uma visão com maior poder explicativo embora seu uso isolado não seja apropriado em países em desenvolvimento. 

Seriam estas quatro visões suficientes para explicar esta quantidade de veículos nas ruas das médias e grandes cidades do país? Aconselho a leitura do capítulo 5, a partir da página 108, "O enfoque sociológico do automóvel". É pequeno, não tenha preguiça não. Fica a dica.

12 comentários:

  1. As explicações para o excessivo número de carros de passeio são : cultura de valorização do carro de passeio, transporte coletivo ruim. É um absurdo realmente a cada dia que se passa a quantidade de carros de passeio (hatchs, sedans, coupés e conversíveis) aumentar a cada dia que passa. Se não forem feitos investimentos sérios em transporte coletivo e paralelo a isso forem baixando leis que desestimulem o uso do carro de passeio, a coisa só tenderá a piorar.

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  2. Muito bom... Tenho esse livro eele é muito interessante, continue assim! Pos isso que eu so quero falar de futebol...!!! kkkkkkkkkk

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  3. Bemvindo a nossa aldeia...não sei se conseguem nos ouvir...mais pelo menos GRITAMOS... -www.pregopontocom.blogspot.com -

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  4. AmBus... micro vam tambem é carro de passeio,não é BUSU...esqueceu?...kkkkkkkkk

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  5. Kkk... É André (AmBuss)... Microvam também é um carro de passeio, não? Ou você trabalha com lotação? A AGERBA tem conhecimento? Kkk

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  6. Lucas, já linkei o seu blog com o meu.
    Vamos divulgar agora!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  7. Cleber vou me excluir também da categoria de carros de passeio... pois também possuo uma Kombi furgão(onde pago os meus pegados) que "considero" o meu CAMINHÃO BAU,KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK RIA CLEBER RIA me faça esse favor...e não conte para a ANTT.

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  8. pregopontocom,
    não utilize o espaço alheio para encher meu saco. Valeu?

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. ANDRÉ ( AmBus) - Calma amigo... cadê o seu espírito esportivo?!!! não meça só as suas palavras, mais também as suas idéias, excluiir-se de um contesto de maneira fantasiosa só o levara cada dia mais para fora da realidade... pense nisto

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  11. Tá, tá...
    Vamos deixar essa rusga pra lá, meu pavio ontem estava curto. Vamos construir boas trocas de idéias a respeito do transporte.

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  12. O CAOS NA MOBILIDADE URBANA UM REFLEXO DO CAOS SOCIAL. Os graves problemas que vem se acumulando ao longo do tempo e influenciando de maneira negativa a MOBILIDADE URBANA nas principais METRÓPOLES brasileira tem na sua origem,principalmente,o fato de governos anteriores e passados,negligenciarem de maneira significativa na criação e aplicação de políticas publicas corretas que pudessem influir e refletir de maneira positiva e eficaz,no futuro do nosso pais.Esse futuro que para todos nos hoje é o presente,trouxe no seu bojo para todos nós, toda essa carga de erros e equívocos lamentáveis cometidos por eles,e que nós,sem termos culpa nenhuma,é que pagamos caro por tudo isso.Antigamente o sonho dourado dos habitantes da zona rural,era migrar para as capitais em busca de oportunidades de trabalho,e melhoria na qualidade de vida,mais em virtude quase sempre da falta de estudos e de uma boa formação profissional,a maioria acabava no reduto do sub emprego,comércio informal,moradores de rua e outros acabavam indo de encontro a marginalização.A falta de atenção e cuidado dos governos anteriores para com os nossos habitantes das zonas rurais,não investindo em educação saúde habitação programas de erradicação da fome e da miséria,combate com ações efetivas e científicas contra a seca,(ao invés de usar a agua e alimentos como moeda de troca em campanhas eleitorais),com incentivo aos pequenos agricultores e produtores rurais,fomentando assim a agricultura familiar,fornecendo financiamentos,ajuda tecnológica e logística,permitindo assim que homens e mulheres do campo,pudessem estudar,produzir,trabalhar tendo o seu sustento garantido na sua própria terra, evitando o êxodo rural para as capitais inchando-as e criando bolsões de miséria e a favelização em grande parte delas não teria-mos chegado a tanto.Todo esse conjunto de erros e a falta de uma visão inteligente,clara,coerente e correta dos nossos antigos administradores, nos remeteram infelizmente ao caos que agora assistimos.Talvez tenhamos ai também a nossa parcela de culpa quando não soubemos escolher de maneira correta os nossos governantes e legisladores,e até mesmo quando muitos(o que não justifica)por uma necessidade premente ou oportunismo aceitaram trocar seu voto por algum favorecimento pessoal.Infelizmente hoje isso é o que herdamos,o resultado desse conjunto de erros que hoje tanto nos apavora.MAS…ainda está em tempo, pois nem tudo está perdido,o que precisamos é acreditar mais na força da grande arma que temos,o voto, e poder de cobrar mais incisivamente e frequentemente dos nossos administradores mais empenho,lisura,honestidade,competência,desprendimento e atitude,pois afinal, a todos eles pagamos bons salários para cuidar do nosso povo e do nosso património.O QUE NOS PERTENCE POR DIREITO E POR LEGADO,JAMAIS PODERÁ NOS SER NEGADO.Afinal para que serve então a democracia?!!!- Materia publicada no blog- Pregopontocom @ Tudo -www.pregopontocom.blogspot.com/ -

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